terça-feira, 22 de setembro de 2009

Apartheid da produção midiática

Desde os primórdios as grades comunicativas sofrem transformações para melhor se adaptarem as inovações inseridas na sociedade capitalista. Trata-se de uma transformação constante nos veículos de comunicação, no qual o interesse do empreendedor midiático de gerar cada vez mais lucro prevalece ocultamente, tais modificações nem sempre são benéficos para a construção de um conhecimento de cunho sócio-cultural adequado para os telespectadores. De forma apelativa com corpos sensuais, incorporando sátiras à imagem do homem para construir humor, selecionando os fatos e criando a veridicidade das ações humanas ela impõe um padrão de vida social em que as pessoas precisam adquirir incessantemente para conseguir a inserção na sociedade. Assim ela se apresenta como poder absoluto, controlando os três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário).
Os veículos de comunicação precisam de audiência para manter os contratos publicitários e arrecadar lucro, as empresas necessitam de consumidores para fixarem seus produtos na mídia. Para sustentar tal relação recíproca estabelecida, é essencial que telespectadores sejam atraídos pelos programas apresentados nas grades comunicativas, tarefa que gradativamente se torna mais conturbada devida a elevada concorrência imposta pelo sistema capitalista. Em decorrência das dificuldades enfrentadas para conquistar o público, a mídia apresenta soluções antiéticas, alienadoras para desbancar as rivais e obter lucro. Dessa forma, cidadãos são influenciados pela cultura do lixo, numa sociedade criada pela mídia, que exibe copos esculturais perfeitos, difunde o consumismo exacerbado de bens supérfluos, ridiculariza a imagem do homem para despertar humor. E o pior: ausenta-se dos verdadeiros problemas sociais, acumulando a desigualdade entre as camadas sociais e mantendo a sociedade alienada e desinformada sobre os fatos de relevância para convivência pacífica e justa entre os homens.
O controle áudio-visual imposto à sociedade está presente em todas as ferramentas de comunicação e se prolifera com rapidez na mesma proporção em que a tecnologia avança com invenções que limitam a distância entre os continentes, favorecendo os países desenvolvidos que impõem critérios aos sócio-econômicos e culturais aos demais países com o intuito de promover suas multinacionais e obter mais lucro. A mídia exclui qualquer possibilidade que ponha sua supremacia em risco. No Brasil, por exemplo, as produções midiáticas estatais com programas de cunho educativo e cultural são raras. E movimentos como: “Quem financia a baixaria é contra a cidadania” não conseguem se proliferar e repercutir na opinião pública, de forma que ela tenha ao menos consciência dos dois extremos para analisar e discernir o conteúdo que será usufruído. Há um domínio das produções privadas que visam apenas à questão financeira, financiando a baixaria e combatendo qualquer ameaça com programas “vazios” que erotizam as relações entre os sexos.
A influência midiática é tão evidente que qualquer fato noticiado por ela repercute instantaneamente na sociedade, mesmo quando não há clareza entre a informação e o anunciante que interpreta como convém a veracidade dos fatos. Acontecimentos são abordados com interesses políticos ocultos nos indivíduos que não analisam a situação, causando transtornos psicológicos. A mídia condena e absolve um réu com o apoio da opinião pública, que opina conforme os interesses da informação áudio-visual, sem qualquer crítica contraditória a que foi captada. Segundo Muniz Sodré: “[...] as pessoas não mais conversam umas com as outras, e sim entretêm-se mutuamente. Não trocam idéias, trocam imagens. Não argumentam com proposições; argumentam com boa aparência, celebridades e comerciais”. As grades comunicativas aniquilam a consciência dos espectadores e introduzem uma realidade superficial.