quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Ouro Negro, solução?
A exploração braçal dos indígenas era bastante intensa; portugueses, ingleses, holandeses e vários imigrantes europeus usufruíram das vantagens proporcionadas pela inocência indígena. O maior legado dos colonizadores talvez seja a miscigenação tão presente de Norte a Sul do país, com um povo culturalmente rico que torna o Brasil repleto de manifestações culturais.
Atualmente, o Brasil busca avanços significativos para compensar a exploração do passado e conquistar melhores condições de vida para seu povo. Segundo estatística do IBGE, o país tropical ocupa no ranking mundial a 39ª entre os países com melhor qualidade de vida. O país ainda está em um processo paulatino de desenvolvimento até se consagrar como uma nação desenvolvida, sem miséria e com saúde e educação de qualidade. Entretanto, precisamos reconhecer o crescimento recorde obtido nos últimos quinze, após a consolidação da democracia no país e com a implantação do Plano Real e com a proliferação das políticas sociais.
Este ano a Petrobras fez um anúncio que pode causar uma revolução, acelerando o crescimento economico do país e ajudando a melhorar o padrão de vida dos brasileiros. Trata-se de uma substância líquida mineral, escondida em um local bem distante, onde nem mesmo os desbravadores coloniais foram capazes de visualizar. O mineral está nas profundesas do oceano, localizado a mais de 7.000 m, com grandes reservas de óleo e gás. Lá será implantado o Subsal, conhecida também como Pré-Sal, projeto Federal que promete gerar emprego e renda para população brasileira.
O petróleo está localizado na Região Sudeste, na Zona Econômica Exclusiva Brasileira, em uma área de 200 km no litoral brasileiro, entre o norte do Espírito Santo até o litoral de São Paulo, o Subsal contém aproximadamente 100 bilhões de barris de petróleo.
A descoberta ocorreu em um momento importante, devido a excasses em que ele se encontra no mundo atualmente. Em decorrência da excasses do mineral no mundo, o Brasil vai explorar o seu petróleo por um valor elevado e deve lucrar muito, diferente da Arábia Saudita que encontrou petróleo num momento em que ele se encontrava demasiadamente no mercado mundial e por isso vendeu sua riqueza natural a baixo preço. Na época da descoberta, há algumas décadas , o país asiático vendeu sua riqueza a 5 dolares o barril e atualmente ele vale no mínimo 80 dolares o barril.
O Brasil desde 2006 se encontra na condição de auto suficiente em relação a quantidade de petróleo existente. Entretanto a qualidade do mineral ainda deixa a desejar, por isso somos dependentes de alguns paises que exportam a altos preços. O país ainda não dispõe de recursos suficientes para extrair a riqueza das profundesas do oceano. No entanto, investimentos em pesquisas estão sendo realizados intensivamente. Segundo o presidente Lula, até 2010 as refinarias deverão ser modernizadas e o país deve descobrir novos campos de óleo leve, consolidando a total auto suficiência com petróleo de qualidade.
Especialistas acreditam que se bem administrado, o Pré-Sal vai criar 500.000 empregos diretos e indiretos até 2020. O Brasil deverá ficar entre os seis países com maior reserva petrolifera do mundo, atrás apenas da Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes . Os recursos obtidos pela União com a renda do “ouro negro” serão destinados ao Novo Fundo Social (NFS). Resta saber se o Brasil vai herdar a ambição colonial ou se terá sabedoria sufiente para administrar corretamente seus recursos, consolidando melhores indices de desenvolvimento humano.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Apartheid da produção midiática
Os veículos de comunicação precisam de audiência para manter os contratos publicitários e arrecadar lucro, as empresas necessitam de consumidores para fixarem seus produtos na mídia. Para sustentar tal relação recíproca estabelecida, é essencial que telespectadores sejam atraídos pelos programas apresentados nas grades comunicativas, tarefa que gradativamente se torna mais conturbada devida a elevada concorrência imposta pelo sistema capitalista. Em decorrência das dificuldades enfrentadas para conquistar o público, a mídia apresenta soluções antiéticas, alienadoras para desbancar as rivais e obter lucro. Dessa forma, cidadãos são influenciados pela cultura do lixo, numa sociedade criada pela mídia, que exibe copos esculturais perfeitos, difunde o consumismo exacerbado de bens supérfluos, ridiculariza a imagem do homem para despertar humor. E o pior: ausenta-se dos verdadeiros problemas sociais, acumulando a desigualdade entre as camadas sociais e mantendo a sociedade alienada e desinformada sobre os fatos de relevância para convivência pacífica e justa entre os homens.
O controle áudio-visual imposto à sociedade está presente em todas as ferramentas de comunicação e se prolifera com rapidez na mesma proporção em que a tecnologia avança com invenções que limitam a distância entre os continentes, favorecendo os países desenvolvidos que impõem critérios aos sócio-econômicos e culturais aos demais países com o intuito de promover suas multinacionais e obter mais lucro. A mídia exclui qualquer possibilidade que ponha sua supremacia em risco. No Brasil, por exemplo, as produções midiáticas estatais com programas de cunho educativo e cultural são raras. E movimentos como: “Quem financia a baixaria é contra a cidadania” não conseguem se proliferar e repercutir na opinião pública, de forma que ela tenha ao menos consciência dos dois extremos para analisar e discernir o conteúdo que será usufruído. Há um domínio das produções privadas que visam apenas à questão financeira, financiando a baixaria e combatendo qualquer ameaça com programas “vazios” que erotizam as relações entre os sexos.
A influência midiática é tão evidente que qualquer fato noticiado por ela repercute instantaneamente na sociedade, mesmo quando não há clareza entre a informação e o anunciante que interpreta como convém a veracidade dos fatos. Acontecimentos são abordados com interesses políticos ocultos nos indivíduos que não analisam a situação, causando transtornos psicológicos. A mídia condena e absolve um réu com o apoio da opinião pública, que opina conforme os interesses da informação áudio-visual, sem qualquer crítica contraditória a que foi captada. Segundo Muniz Sodré: “[...] as pessoas não mais conversam umas com as outras, e sim entretêm-se mutuamente. Não trocam idéias, trocam imagens. Não argumentam com proposições; argumentam com boa aparência, celebridades e comerciais”. As grades comunicativas aniquilam a consciência dos espectadores e introduzem uma realidade superficial.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
É pra rir ou chorar?
Não existe uma definição concreta a respeito do que pode vir a ser humor, ele é variável e subjetivo. Uma piada pode ser motivo de gargalhadas para determinado indivíduo e indiferente para os demais, dependerá de fatores sócio-culturais peculiares ao espectador.
O humor é filho da surpresa, na medida em que consegue estabelecer uma associação com todo comportamento, imagem ou fator capaz de representar uma ação diferente daquilo que se previa. Não costumamos rir de daquilo que é natural, mas sim de situações estranhas a nossa ótica.
A utopia está presente em determinadas formas de humor, capazes de mostrar como o mundo deveria ser. A representação de uma sociedade harmônica, igualitária e feliz é representada “ocultamente” em um humor inteligente, capaz de mostrar o que não deveríamos fazer para melhorar o meio em que vivemos, o riso é provocado pelo contraste e por isso deve ser utilizado para o bem de todos.
O riso é uma estratégia de comunicação, porque nos coloca na mesma situação, seres comuns em busca do outro. Nunca rimos a sós, indiretamente alguém exerce influência, mesmo que no subconsciente. O riso é unificador, coletivo, contagiante. Mas pode ser perigoso quando se torna preconceituoso e contribui com a desigualdade social.
Caracteriza-se como ciência a partir do momento em que buscamos evoluir e melhorar as condições vigentes, criticando o presente para não persistir com os erros no futuro. Entretanto, desta forma pode-se construir um sonho utópico. Almejamos acertar sempre para não sermos ridicularizados novamente e quando não conseguimos mudar nos deparamos com uma crise existencial, deixamos de buscar aquilo que queremos.
O humor como experiência estética, possui um gosto pessoal, onde há um descompromisso com verdades postas e impostas. O sujeito cria naturalmente seu próprio estilo independente do juízo de valor imposto pela sociedade, apesar de haver uma grande interferência midiática no convívio social, onde os cidadãos devem rir de determinadas imagem e sons que são impostos para alienar e favorecer um mercado lucrativo que se mostra oculto para grande maioria das pessoas que não sabem discernir humor e manipulação. Neste circo da vida real, sobrevivem os críticos que sabem conciliar diversão com consciência.
Paradoxalmente o riso torna o homem imune a certos preceitos, ele esquece certos medos e temores driblando o morte. Para não se preocupar com a morte, brinca-se com ela. O humor em determinado momento nos liberta das tensões impostas pela moral coletiva. Entretanto, os problemas que são momentaneamente esquecidos no momento das gargalhadas, pode surgir mais tarde com maior intensidade. Depois que o sujeito se depara com a realidade, depois que o riso perde a graça. Woody Allen, humorista norte americano, zombou da morte de forma bem humorada. “E se houver vida após a morte... mas ninguém souber onde fica?”. Assim, ele misturou questões cruciais que nos afligem, numa quebra constante de expectativas.
No meio televisivo, o humor é construído de maneira alienadora, o observador representa a superioridade. No conforto seu lar, cansado de um exaustivo dia de trabalho ele senta-se na sua poltrona e possui o poder de controlar através do controle remoto aquilo que deseja assistir. Dessa forma ele ri a vontade, até mesmo da infelicidade dos inocentes, e nunca recebe revide. Ele absorve a proposta do programa televisivo de modo passivo; ri da desgraça do negro, da miséria do pobre, de uma simples imperfeição corpórea e mais tarde leva a sério a proposta humorística no seu cotidiano. Favorecendo interesses mercadológicos dos proprietários grades comunicativos que acumulam lucro renovando tendências de beleza, comportamento e bens de consumo. Exemplo: Um carro velho, um nariz mais alongado, uma roupa fora de moda transformam-se em piada.
Segundo Kant, o riso é uma experiência frustrada, rimos do oposto que esperamos que aconteça. Enquanto o espectador da gargalhadas, a vítima satirizada que representa a anormalidade perante as normas sociais vigentes é excluída do convívio social. Queremos sempre rir dos outros, pois assim nos sentimos superiores. As grandes comunicativas sempre brincam expondo o rico com superioridade, desrespeitando o pobre que na maioria das vezes é marginalizado ou humilhado. Esta forma de humor prevalece e ganha espaço nos veículos de comunicação, pois os cidadãos são manipulados rindo, absorvem com maior facilidade a proposta alienadora.
O humor deveria driblar a censura repressora, como na década de 1970, quando existia a jovem guarda, a liberação sexual, época em que a ditadura era tratada como o Vietnã pelos humoristas. No filme gravado em 2003: “A taça do mundo é nossa”, a turma do Casseta e Planeta procurou resgatar a identidade perdida atualmente em seu programa televisivo, transmitido pela Rede Globo. A concorrência do CQC (Tv Bandeirantes) que constrói um falso humor perseguindo e ridicularizando políticos corruptos, sem expor uma mensagem política capaz de conscientizar, e do Pânico na Tv (Rede Tv), que brinca de invadir a privacidade de celebridades para mostrar o público que eles também são humanos; contribuiu com o atual quadro humorístico brasileiro, onde predomina o humor grotesco, com linguajar chulo e imagens eróticas.
Defensores dos programas citados afirmam que a sexualidade sempre esteve associada ao humor desde a antiguidade. Funções corporais, como: comer e defecar recebem duplo sentido, tornando-se fator humorístico na imaginação popular. É certo que: o humorista não é o responsável pela atual condição do mundo, mas sim, quando representa as mazelas e permite a reflexão. Mas este tipo de graça é cada vez mais restrito na atualidade.
O riso intelectual exposto numa ironia moralizante e conservadora surgiu na Grécia. Na antiguidade do “berço da democracia” os humoristas foram proibidos de ridicularizar seus representantes políticos, durante um longo tempo encenações de comédias e peças foram suspensas como forma de coibir manifestações contra a politicagem corrupta.
O humor grotesco, com situações absurdas, animalidades e partes baixas do corpo surgiu em Roma, no século I, como contraproposta ao humor grego, inteligente.
Além de divertir, o humorista deve perturbar indo além do superficial, ao perceber e mostrar “aquilo que não é visível”. Ele é o modelo de representação do mundo, mostrando situações e imagens em duas perspectivas, com duplo sentidos. Mas é preciso preservar o caráter e respeitar com as demais pessoas, para não invadir a privacidade ou degradar a imagem do indivíduo e esta é a forma que tem sido mais explorada pelo programas na TV, em especial o Pânico na Tv.
O humor grotesco proliferado atualmente representa a falência de um projeto político, onde o telespectador apenas: senta, assiste e espera. Com um riso amarelo e passivo os brasileiros são influenciados, não há possibilidade de construção, semelhante ao riso grego. O humor televisivo deveria mostrar a incoerência da sociedade diante da lógica do pensamento, mas o casamento mídia e humor é mais lucrativo mantendo famílias alienadas assistindo programas que vendem consumismo.
A despolitização do espaço público traz a TV para casa, com a atmosfera da feira ou da praça pública de forma tensa. Só se pode rir sendo espectador, entra-se no meio social usufruindo o sorriso vendido pela mídia. Sorriso este que está inserido na publicidade, nos jornais e transmissões televisivas que mostram heróis em horário nobre, repletos de humor que não deve ser levados a sério.
O riso de desprezo, presente nas grades comunicativas, busca a tudo incluir como forma de promover e renovar o comércio. Na cultura dos meios de comunicação nada precisa ser levado a sério, todo humor é passageiro, bem como o consumismo que é renovado de acordo com os modismos midiáticos. O humor reduzido a banalidade buscar entreter o público para o mesmo consumir mais tarde. O humor precisa ter uma finalidade educativa, capaz de conscientizar as pessoas naquilo que for essencial para construção de um sociedade mais justa e harmônica.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
A incapacidade na construção da notícia
A dramática cheia no Norte-Nordeste e a seca no Sul, causados pelo fenômeno La niña, não encantam mais os veículos de comunicação, as notícias parecem estar obsoletas demais para serem veiculadas. A mídia busca incessantemente outro foco de maneira tão rápida que supera a velocidade do entendimento de qualquer ser racional. O que semanas atrás era motivo de denúncia social contra a precária infra-estrutura das cidades atingidas pelas chuvas, com seus contingentes de desabrigados sem auxílio dos órgãos públicos, ou mesmo, pela seca, com milhares de retirantes em busca do bem mais precioso do Planeta - a água - foi esquecido pela mídia que hoje valoriza apenas a temida Gripe Suína de forma superficial. Construindo uma situação de pânico na sociedade brasileiro que não condiz com a realidade e sem mencionar os verdadeiros culpados pela "epidemia". O que interessa é impor na mente dos Brasileiros uma situação de temor e medo, pois são fatores que causam audiência e consequentemente lucro.
O ideal não seria noticiar e criticar um fato diversas vezes, pois apesar de alienados, os expectadores não são burros e se cansariam com a mesmice. Entretanto, deve-se investigar a notícia, denunciar e buscar soluções. Os jornais não conseguem se quer sustentar suas coberturas, são incapazes de manter a continuidade da notícia, mostra-se apenas um fato de forma corriqueira e logo após outro se sobrepõe, causando um conflito no telespectador incapaz de refletir a notícia.